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Indústria 4.0: Entenda o impacto no setor de alimentos

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A Indústria 4.0 é um tema importante para todo o segmento industrial – ainda que, no Brasil, o movimento de adoção seja tímido –principalmente por conta das sucessivas crises, que afetaram em cheio a indústria nos últimos anos. De acordo com um estudo elaborado pela Conferência Nacional da Indústria (CNI), cerca de 1,6% das fábricas instaladas no país se inserem na Indústria 4.0 hoje – a expectativa é que esse número chegue a 21,8% até 2027.

De qualquer maneira, a indústria 4.0 é uma realidade na Europa e nos Estados Unidos e, para não perder a competitividade, o Brasil também terá que se adaptar. Esse mesmo estudo da CNI, denominado “Oportunidades para a Indústria 4.0”, destaca que o setor alimentício, por sua própria característica de inovação, tem maior potencial para se tornar líder na adoção de novas tecnologias – com maior proporção relativa de produtividade e alto coeficiente de exportação. O setor de alimentos –de acordo com o estudo—tem maior capacidade para adoção e precisará de tecnologia para se manter competitivo.

Os catalisadores da mudança na indústria de alimentos

Muitos fatores vão impulsionar a indústria de alimentos rumo à tecnologia e à automação, como por exemplo:

Aumento das demandas dos consumidores: As preferências do consumidor mudaram e os fabricantes agora fornecem uma quantidade infinita de opções de produtos em novos segmentos, e em constante evolução. Os consumidores ditam o caminho da indústria de maneiras distintas –desde o preço até a qualidade, passando por demandas mais específicas. Cada vez mais, o mercado caminha para a direção de produtos mais saudáveis, ​​que possam ser preparados rapidamente.

Expansão da cadeia de valor – Há mais locais do que nunca para os consumidores comprarem produtos alimentícios –além do potencial e-commerce. O planejamento da cadeia logística será primordial neste sentido.

Segurança Alimentar – A pressão para produzir alimentos seguros e de qualidade está aumentando. Os consumidores querem saber o que estão comendo e órgãos regulatórios estão aplicando regras mais rígidas. A capacidade de rastrear o ciclo de vida de um produto e identificar rapidamente a origem das questões de segurança alimentar não é apenas uma responsabilidade legal dos produtores de alimentos, mas também uma obrigação social e ética para com seus consumidores.

 Pressões para melhorar as margens – A manufatura de alimentos é historicamente um negócio de baixa margem, portanto, gerenciar os custos é uma prioridade importante. No entanto, aumentar os custos de transporte e estoque, combinado com ciclos de vida mais curtos, dificulta isso.

Fabricantes de alimentos precisam adotar a indústria 4.0

A cadeia global de fornecimento de alimentos atualmente não é ágil o suficiente para responder às necessidades atuais do mercado. Embora margens baixas possam limitar o investimento em novas tecnologias, o mercado está forçando os fabricantes a inovar e evoluir para a sobrevivência.

Todos os aspectos da produção de alimentos podem se beneficiar de tecnologias avançadas. Por exemplo, os agricultores estão experimentando sensores para monitorar o solo, as pragas e outras questões ambientais para auxiliar na irrigação e fertilização adequadas, o que melhora o rendimento das colheitas, a qualidade e minimiza os custos. Esses tipos de tecnologias também podem ser usados ​​para fornecer aos fabricantes, distribuidores e vendedores informações importantes que podem ajudar a otimizar a cadeia de suprimentos e maximizar as eficiências de fabricação e distribuição.

Outra promissora tecnologia da Indústria 4.0 é o blockchain [tecnologia que cria registros distribuídos e compartilhados, que podem ser unificados em uma base global]. Alimentos e bebidas passam por muitos pontos de contato e são manipulados por muitas pessoas, e o blockchain pode auxiliar no rastreamento de origens de alimentos.  Muitas tecnologias da Indústria 4.0 também podem rastrear quem toca o produto, monitorar as regulamentações de temperatura e fornecer dados críticos. O aprendizado de máquina pode permitir que os fabricantes incorporem a demanda em tempo real para melhorar as eficiências, e os robôs ajudam a agilizar as operações de manufatura e de armazém. A cadeia de suprimentos é complexa; aqueles que simplificam vão ganhar.

Exemplos práticos de como a Indústria 4.0 faz uma diferença importante

Recall de produtos

Fazer o recall de produtos de maneira rápida e efetiva é primordial para a indústria alimentar – a velocidade permite encontrar o lote contaminado rapidamente, evitando afetar consumidores, bem como auxiliando na gestão de crise. Mais do que isso, a pressão dos órgãos reguladores é cada vez maior.

A rastreabilidade da contaminação é, no entanto, uma questão complicada, pois vários fatores, como impurezas, erros de rotulagem e embalagem, contaminação por metais, plástico, vidro ou substâncias potencialmente perigosas, como óleo de máquina ou riscos biológicos, devem ser levados em consideração.

As tecnologias de sensores podem ajudar a identificar a origem da contaminação. Existem muitas variedades de sistemas inteligentes de identificação que permitem uma melhor rastreabilidade. Por exemplo, a rotulagem de identificação por radiofrequência (RFID) rastreia o produto desde a colheita. Existem também outros sistemas que permitem o rastreamento sistemático e eficiente de dados desde a matéria-prima até o produto-final.

Gestão de dados

A otimização da troca e coleta de dados em todas as máquinas da cadeia de produção na indústria permite não apenas o acesso rápido aos dados essenciais, mas também garante que todas as etapas do processo sejam documentadas com segurança. O gerenciamento de dados é a soma de todas as partes e, para cada parte, e a leitura dos dados de máquina já é uma realidade –inclusive para auxiliar a Indústria 4.0 na tomada de decisões relacionadas ao negócio.

Produção unitária

Enquanto a produção de uma única unidade para atender a pedidos personalizados de clientes tem sido até o momento extremamente difícil de implementar, algumas empresas estão agora se movendo precisamente nessa direção, graças à inovação técnica. A possibilidade de automatização e as tecnologias de sensores permitem a personalização de acordo com as solicitações do cliente.

Mudanças no comportamento do consumidor

Os novos consumidores pesquisam seus produtos em seus smartphones e, muitas vezes, fazem escolhas conscientes, dependendo dos nutrientes que desejam ter em sua dieta. Portanto, para motivar os consumidores a comprar seus produtos, os fabricantes e varejistas devem escolher soluções de ponto de venda (PDV) que lhes permitam influenciar as decisões de compra no próprio ponto de venda. Um exemplo são os displays de PDV que se integram aos dispositivos móveis dos clientes.

Uma tecnologia emergente é a rotulagem inteligente. A combinação de rotulagem sem fio, aplicativos de software e plataformas na nuvem permite que os clientes digitalizem rótulos de produtos com seus smartphones para garantir a autenticidade do produto ou obter informações técnicas, entre outros.

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